segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Grande do tamanho dos sonhos

Crianças são miniaturas de adulto, só que mais brincalhonas e despreocupadas. No pré-escolar tem sempre uma professora perguntando ás crianças o que elas querem ser quando crescer. Eu me lembro de quando alguém simulando a voz de Xuxa Meneghel me fez esse tipo de indagação tão íntima. Daí, eu disse que queria ser cantora, escritora, desenhista e veterinária. Personificar essa segunda era muita ousadia para uma recém-alfabetizada, felizmente eu estava diariamente copiando deveres e escrevendo – e era “a escritora”.

Com dez anos, decidi fazer algo de maior utilidade pra todos. Todos mesmo, todas as espécies. Foi então que quis ser bióloga. Passei o restante da minha vida escolar com a convicção de que esse era o caminho certo. Eu teria um santuário de macacos raros e uma planta da mata atlântica seria descoberta por mim, levaria meu nome e teria as sementes preservadas para alimentar toda a população da Terra pós-apocalíptica .

No último ano colegial, eu mudei o rumo de tudo marcando Biomedicina no vestibular da UFPE e parei de ler os e-mails do Greenpeace. Não me perguntem o motivo, deveriam ser as células adultas se disseminando no meu organismo e dizendo que Biomedicina aparentemente daria mais dinheiro no lugar da Biologia. Queria ser realista, não dava pra ajudar a salvar o mundo. Passei dois anos cursando Biomedicina e me sentia estagnada. Pensei na possibilidade de ficar tão parada que ia começar a crescer pra baixo. Não nasci pra ser árvore! Mesmo gostando delas.

Fiz outro vestibular, dessa vez pra ser bióloga. Fui o primeiro lugar do curso e pensei que dessa vez eu ia passar de mocinha a mulher segura. Ia crescer num passe de mágica nos cinco anos de graduação. Desisti em um ano por uma série de motivos, mais decepcionada ainda comigo mesma.

Já existia algo dentro de mim me impulsionando para uma terceira opção. É engraçado como a gente não valoriza o que faz bem e só faz isso depois de arriscar fazer tudo o que não fazemos bem. Não sou uma das melhores desenhistas, mas desenhar e criar são as coisas que faço de melhor. Sem perceber, eu desenhei por toda minha vida e só encarava como hobby. Esse ano, eu vou tentar ser designer e pagar pra ver (não literalmente, já que a facul é pública).

Enquanto o dia do vestibular não chega, estou terminando a Biomedicina, na esperança de pegar um diploma como se ele fosse um atestado de evolução, um comprovante de membro do clube dos adultos que chegaram no “vai ser” do “quando crescer”. Apesar de tudo, descobri que a resposta pra “o que você vai ser quando crescer?” é mesmo aquela que algumas crianças dizem: vou ser grande! Eu vou ser grande e do tamanho dos meus sonhos, porque ninguém pára de crescer enquanto estiver indo na direção do que sonhou.

Para o Post It!

Nenhum comentário: