Era o auge do inverno e quase todas as lagartas haviam sumido, deixando as folhas mordiscadas para trás. Quase todas, vale frisar. Enquanto a maioria tecia um novo futuro dentro de crisálidas, uma lagarta pequenina não queria deixar o seu mundo verdejante para trás. Achava estar segura sobre seu arbusto, apesar das ameaças de predadores e de correr o risco de ser esmagada por animais maiores. Não tinha interesse em alterar sua rotina, mesmo que a natureza ao redor se modificasse todo o dia.
Na falta de alguém para conversar, a lagarta se arriscou até a beira do lago, onde no verão conheceu um girino. O lago estava congelado e ela cogitou a possibilidade do seu amigo ter virado um cubo de gelo no seu interior. Um coaxar desabrochou entre as plantas vestidas de neve e um sapo gigante saltou na sua frente. Era o seu amigo transformado em sapo para sobreviver ao inverno e animado com as mudanças da sua vida. A lagarta, totalmente contrária a estas ousadias e metamorfoses, comentou maldosamente como a aparência do antigo girino estava deixando a desejar. O sapo, que exigiu ser chamado de sapo e não de antigo girino, serenamente tentou fazê-la entender que neste momento estaria morto se não pudesse sair da água a tempo. Ele lhe recomendou mudar também, pois logo o inverno mataria todos os arbustos fresquinhos e não haveria folhas para alimentar uma lagarta. Ela deveria se tornar uma borboleta e voar para campos novos.
A lagarta não queria dar nenhuma de suas inúmeras patinhas a torcer. Não engoliria aquele sapo e estava disposta a acabar ali mesmo a amizade.
Alheio a esta conversa, um pássaro gigante planou sobre os dois. O sapo embrenhou-se na vegetação coberta de neve. A lagarta, por ser lenta e pesada, tinha certeza do seu fim. Dois olhos amarelados surgiram como mágica sobre o tapete branco de inverno encobrindo a lagarta. Aquilo confundiu o pássaro e ele fugiu, pensando estar encrencado com um animal maior.
Uma linda borboleta cor de mel girou diante da assustada lagarta. Os olhos desenhados nas asas da borboleta delicada confundiram o pássaro. Havia salvado a lagarta e partiria o mais breve possível em direção aos campos longínquos, onde já era primavera. A lagarta se deu conta de que nunca havia reparado em como as borboletas não eram apenas belas, mas também ágeis e leves. A mudança começava a despertar dentro da pequenina lagarta. Ainda havia tempo de fazer um casulo e se adaptar a sua metamorfose. Por dentro, guardaria o que tivesse de melhor da primeira etapa da sua vida e somaria a isso tudo o aprendizado de uma vida mudada a cada nova estação.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
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7 comentários:
"Por dentro, guardaria o que tivesse de melhor da primeira etapa da sua vida e somaria a isso tudo o aprendizado de uma vida mudada a cada nova estação."
Não tenho nem palavras! :O tá PERFEITO! || siim, deve tá bombando mesmo! dhsuidhsuiodhuis Meg cabot é a queridinha dos livros para adolescentes :D
encontrei uma borboleta sua voando na minha aurora boreal ^^ vim retribuir a visiita, e amei texto, mto bom messmo, Parabéens pelo bloog ;D
=*
Ai, que texto lindo! Gostei de verdade; também amei o desenho que tem no seu layout, você que fez?
Beijos.
Que texto lindo. Caramba, amei mesmo.
Ele falou de um jeito leve, encantado e doce sobre as mudanças que são necessárias na vida.
Amei.
Boa sorte lá no blorkutando, beeijos e to seguindo o blog.
Nossa, parabéns! Esse desenho está mais do que lindo, amei :O
Ainda não assisti UP, mas pretendo. A animação parece ser perfeita.
Beijos
Que lindo teu blog, que post perfeito! Amei *-*
Nossa!
A tua vitória no blorkutando foi EXTREMAMENTE merecida.
O teu texto ficou encantadoramente lindo, uma perfeição só!
Adorei, de coração.
Escreves lindamente, menina!
Grande abraço.
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